Tira-se o antes e depois de uma clínica de estética ou de dentária e a primeira reação é sempre a mesma: «então não temos nada para publicar». Tem — e provavelmente melhor. O antes e depois é o conteúdo mais fácil de fazer, não o que traz mais pacientes certos.

O atalho que sai caro

Há três problemas com o antes e depois, e só um deles é regulatório.

  • É proibido em anúncios pagos nas duas grandes plataformas, o que significa que o melhor conteúdo do perfil é exatamente aquele que nunca vai poder ser promovido.
  • Atrai quem compara preço. Um resultado bonito sem contexto convida à pergunta «quanto é?» e a mais nada. Quem chega assim negoceia, não confia.
  • Não responde ao medo. A objeção que trava a maior parte das pessoas não é «será que resulta?». É «vai doer?», «quanto tempo estou parado?», «e se correr mal?». Uma fotografia de resultado não responde a nenhuma delas.
O conteúdo que enche agendas não mostra o resultado. Mostra o caminho até lá — e quem o faz.

Cinco formatos que funcionam numa clínica

A pergunta que ouvem todos os dias

Trinta a sessenta segundos, um profissional, uma pergunta real da receção. «Posso comer depois de colocar um implante?», «A fisioterapia dói na primeira sessão?». É o formato mais barato de produzir e o que mais partilhas gera, porque responde a algo que a pessoa não queria perguntar ao telefone.

O percurso da primeira consulta

Filmar a entrada, a receção, a sala, o equipamento, o profissional a explicar o que vai acontecer. Reduz o medo do desconhecido, que é o maior travão à marcação, e vale sobretudo para quem nunca lá foi.

A equipa a trabalhar, com nome

Numa clínica, a confiança transfere-se de uma cara, não de um logótipo. Apresentar cada profissional — o que faz, há quantos anos, porque escolheu aquela área — constrói o que nenhuma campanha compra. É também o conteúdo que melhor resiste ao tempo.

O bastidor honesto

A esterilização do material, a chegada de equipamento novo, a formação da equipa num sábado. Prova de rigor sem uma única afirmação de resultado — e portanto sem qualquer risco de conformidade.

O aviso útil

Agenda de agosto, horário alargado às quintas, novo acordo com um seguro, alteração de morada. Não é glamoroso e é o que mais chamadas gera, porque chega a quem já pensava em ir.

Uma regra para o tom

Se a publicação podia ser de qualquer clínica do país, não é da sua. O nome do profissional, o nome da rua, o equipamento que têm e o outro não tem — é a especificidade que faz alguém parar de deslizar.

Um calendário que sobrevive a uma semana cheia

Planos de dezoito publicações por mês morrem em fevereiro. O que aguenta um ano inteiro numa clínica com a equipa a tratar pacientes:

  • Duas publicações por semana no feed. Uma educativa, uma de equipa ou bastidor.
  • Um vídeo curto por semana, do formato «pergunta que ouvem todos os dias».
  • Stories três dias por semana, sem produção: o que está a acontecer, tal como está.
  • Uma gravação por mês, de duas horas, que produz o material das quatro semanas seguintes.

São oito a doze peças mensais, feitas num único bloco de agenda. É a diferença entre um plano que existe no documento e um plano que existe no perfil.

Quem grava, e com o quê

Telemóvel recente, um microfone de lapela de trinta euros e uma janela. Não é falsa modéstia: em conteúdo de saúde, a produção demasiado polida afasta. O que não se perdoa é o som mau — legenda-se um vídeo tremido, não se salva um vídeo que não se ouve.

O papel de cada um costuma dividir-se assim: a clínica grava — é quem tem os profissionais e os momentos — e quem gere trata do guião, do calendário, da edição, das legendas e das respostas. Inverter isto é o erro que faz os projetos pararem ao terceiro mês.

O que medir, e o que ignorar

O alcance de uma clínica de bairro é irrelevante: não precisa de ser conhecida no país, precisa de encher a agenda num raio de quinze quilómetros. Olhe para outra coisa:

  • Mensagens diretas com intenção — quantas perguntam preço, disponibilidade ou morada.
  • Cliques no botão de contacto do perfil, que é o passo mais próximo da marcação.
  • Guardados e partilhas, que valem muito mais do que gostos: guardar significa «isto interessa-me para depois».
  • Pacientes novos que indicam redes sociais como origem na ficha. É o único número que fecha o ciclo.

Perguntas frequentes

Quantos seguidores precisa uma clínica?

Menos do que se pensa. Mil seguidores locais valem mais do que vinte mil espalhados pelo país. O objetivo não é audiência, é reconhecimento na zona onde a clínica atende.

Vale a pena estar no TikTok?

Vale se houver alguém na equipa com apetência para gravar com regularidade. Sem isso, é melhor fazer bem um canal do que mal três — e para a maioria das clínicas o Instagram continua a ser o que traz contactos com intenção.

Quem responde às mensagens?

Deve haver uma regra escrita: quem responde, em que horário e o que faz com um pedido de marcação. Uma mensagem que espera dois dias é um paciente que já ligou a outra clínica.

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