Há relatórios de campanha com vinte e sete linhas onde não aparece uma única vez o número que decide se aquilo vale a pena. Cliques, impressões, alcance, custo por contacto: tudo métricas verdadeiras, e nenhuma delas responde à única pergunta que a clínica tem — quanto me custou trazer aquele senhor que se sentou na cadeira na terça-feira.

As métricas que enganam, e porquê

Nenhuma destas métricas é falsa. O problema é que todas param antes do fim.

  • Custo por clique. Mede o preço da entrada, não o da venda. Uma campanha com cliques a 0,40 € pode ser a mais cara que tem, se ninguém desses cliques marcar.
  • Custo por contacto. Já é melhor, mas trata todos os contactos como iguais. Um formulário preenchido às três da manhã por alguém que quer saber se fazem acordo com um seguro que não têm não vale o mesmo que uma chamada às dez da manhã a perguntar quando pode ir.
  • Alcance e impressões. Servem para diagnosticar, nunca para decidir. Uma clínica não paga contas com alcance.
A pergunta certa não é «quanto custou este contacto?». É «quantos contactos destes são precisos para um paciente, e quanto custa o conjunto todo?».

A fórmula, e o que tem de entrar nela

A conta é simples. O trabalho está em não deixar parcelas de fora.

Custo por paciente novo

(verba de plataforma + honorários de gestão + custos de produção do mês) ÷ número de pacientes novos que compareceram nesse mês, atribuídos à campanha.

Três regras para que o número seja honesto:

  1. Conte pacientes que compareceram, não marcações. Uma marcação que falta não é receita, e as faltas em campanhas pagas são sistematicamente mais altas do que nas referenciações.
  2. Inclua a gestão. Uma agência que reporta o custo por paciente sem incluir os próprios honorários está a apresentar um número que não existe.
  3. Só pacientes novos. Um paciente antigo que clicou no anúncio para encontrar o telefone não é uma aquisição — é um custo. Filtre-o, ou o número fica bonito e mentiroso.

Onde estão estes números na sua clínica

Não é preciso software novo para os ter. Precisa de três coisas ligadas entre si:

  • A origem no software de gestão. Um campo obrigatório no ato de marcação, com quatro ou cinco opções fechadas: Google, redes sociais, recomendação, passagem, já era paciente. Obrigatório, não facultativo.
  • Medição de chamadas. Numa clínica, metade ou mais dos contactos são telefonemas. Um número de encaminhamento por canal resolve isto sem mudar nada na receção.
  • A comparência de volta à campanha. É o passo que quase ninguém dá e o que muda tudo: exportar mensalmente os pacientes novos que compareceram e cruzar com a origem.

Um exemplo, com contas até ao fim

Clínica de medicina dentária, mês de referência:

LinhaValor
Verba de plataforma1.600 €
Gestão600 €
Produção de criativos150 €
Investimento total2.350 €
Contactos gerados62
Marcações29
Compareceram22
Pacientes novos (excluindo 4 antigos)18

Custo por contacto: 38 €. Custo por marcação: 81 €. Custo por paciente novo: 131 €. São três números muito diferentes para a mesma campanha — e só o último se pode comparar com o valor de um paciente.

Se o valor médio do primeiro ano de um paciente desta clínica for 640 €, a campanha devolve praticamente cinco vezes o que custou. Se for 180 €, está no limite e é preciso mexer em alguma das taxas antes de investir mais.

O limite: quanto pode pagar por um paciente

Há um teto, e convém sabê-lo antes de escalar. Calcule-o assim:

  1. Valor do primeiro ano. Receita média que um paciente novo gera nos primeiros doze meses, incluindo tratamentos subsequentes.
  2. Margem. Tire os custos diretos: material, tempo de cadeira, honorários clínicos. Fica com a margem de contribuição.
  3. Fatia para aquisição. Uma clínica saudável consegue destinar entre 15% e 25% dessa margem à captação. Acima disso o crescimento come a rentabilidade.

Se a margem por paciente é de 400 € e a fatia é de 20%, o teto é 80 € por paciente novo. Abaixo disso, escale. Perto disso, otimize antes. Acima, pare e resolva a conversão — mais verba só vai fazer o buraco maior mais depressa.

Medir sem mudar de software

A objeção mais comum é que o software de gestão da clínica não integra com nada. Quase nunca é impedimento:

  • Um campo de origem obrigatório na ficha resolve 80% do problema, e existe em praticamente todos os programas.
  • Uma folha mensal com quatro colunas — data, nome, origem, compareceu — chega para calcular o custo por paciente com rigor suficiente para decidir.
  • A medição de chamadas monta-se por fora, sem tocar no software clínico.

O que não funciona é perguntar à receção, no fim do mês, «de onde acha que vieram os pacientes novos?». A memória é generosa com a recomendação e injusta com o anúncio.

Perguntas frequentes

Com que frequência devo olhar para este número?

Mensalmente para decidir, trimestralmente para julgar. Uma leitura semanal em clínicas com poucos pacientes novos produz oscilações que levam a decisões erradas.

E se o paciente vier de várias origens?

Acontece muito: vê o anúncio, procura o nome no Google, pergunta a uma amiga e só depois liga. Não vale a pena montar modelos complexos numa clínica — registe a origem que o próprio paciente indica e olhe para a tendência, não para o caso.

O custo por paciente sobe quando aumento a verba?

Quase sempre, e é normal. As pesquisas mais qualificadas esgotam-se primeiro. É exatamente por isso que precisa de saber o seu teto: ele diz-lhe até onde pode subir antes de deixar de compensar.

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